Pesquisa e publicações
- artigo ofício febril: ações tipográficas
Artigo de Aline Dias e Diego Rayck apresentado no 24º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia (24.ART) UNB e Museu Nacional da República, em setembro de 2025. O artigo propõe uma reflexão sobre o projeto Ofício febril, ancorado em dinâmicas colaborativas de constituição de uma oficina tipográfica na UFES. Partindo da vocação experimental e democrática da publicação de artista (Kate Linker), aspectos conceituais da impressão (Georges Didi-Huberman) e agenciamentos de gestos entre mãos e máquinas de funcionamento mecânico (Vilém Flusser), o projeto envolve uma espécie de febre por esse ofício hoje obsoleto. A composição e impressão com tipos móveis atrelada a procedimentos digitais constitui um trabalho anacrônico de resgate de equipamentos, memórias de saberes em vias de extinção e experimentação artística. Na dimensão pública da universidade, o projeto valoriza as oportunidades de convívio que os ateliês coletivos ensejam, tomando partido da correspondência e da atenção (Tim Ingold). Abordamos a mobilidade dos tipos móveis com ações tipográficas realizadas pelo projeto em espaços públicos. O deslocamento da prensa manual para a praia integrando manifestações socioambientais (parceria com o projeto Conexões Costeiras Sudeste, do Laboratório de Política Ambiental e Justiça Ufes) procura discutir os modos de produção e circulação de imagens. Rompendo com a lógica do descarte, interessa-nos pensar o endereçamento e a exposição do próprio mecanismo de produção da imagem.
- LINHA COMO DEVIR: um estudo sobre a linha nas formas da escrita, do desenho e da escuta
Licença capacitação de Ana Lucia Oliveira Vilela. Supervisão: Aline Dias. Este projeto de pesquisa tem como problemática central a linha nas práticas artísticas. Nesse contexto, a linha é apreendida não apenas como elemento formal, mas como signo de devir e de processo. Busco deslocar a ênfase na representação, na forma e no contorno – conceitos historicamente ancorados na cisão entre homem/natureza e sujeito/objeto e na perspectiva de uma soberania humana em relação a outros seres não-humanos – para a observação da linha em seus estados e devires (em gesto, desenho, escrita e escuta), pensados a partir da noção de individuação de Gilbert Simondon, e no conceito derivado, devir de Gilles Deleuze. O estudo foca em publicações de artistas, pois nelas, a linha se apresenta em formações diversas, atravessando os estados de linha-desenho, linha-escrita, linha-instrução, linha-ornamento, linha-fronteira, linha-rastro, linha-gesto, linha-escuta, linha-vocalização, etc. Nesse contexto, a prática tipográfica pode, também, ser considerada um devir da linha e um devir linha, se pensarmos na linearidade da palavra impressa e em todo o processo tipográfico, bem como na simpoiesis (Donna Haraway) nele implicada.
- projeto escrita em artes
A parceria entre os projetos ofício febril e escrita em artes está pautada na vocação educativa do projeto e das metodologias colaborativas adotadas na sua concepção/produção, bem como na valorização das práticas de leitura e escrita, compreendidas como vitais nos ofícios ligados à criação e formação artística. Desde 2017, o grupo de estudos escrita em artes, dedica-se à leitura e à escrita no contexto das artes visuais, compreendendo-as como formas de enunciação subjetiva e inserção crítica. Ao longo deste período foram criados, editados e impressos 6 livros e um blog com a produção desenvolvida pelo grupo de estudos. Vinculado a PROEX UFES, desde 2021, o projeto de extensão configura-se como um desdobramento dos projetos de ensino ligados à escrita em artes realizados no âmbito do Programa Institucional de Apoio Acadêmico (PIAA) da PROGRAD-UFES, 2017-20. O caráter continuado do projeto contribuiu para a formação de estudantes e ampliou o escopo inicial de atividades, mantendo o foco na relação entre escrita e artes, dando continuidade ao grupo de estudos e buscando diálogo com a comunidade externa a partir da pesquisa e da produção artística desenvolvida na UFES.
- Desenho-tipo-mapa: imagens cartográficas e artísticas como intercessoras mútuas em âmbitos educativos
Projeto de estudos programados (Licença para Capacitação) de Gisele Girardi. Supervisor: Diego Rayck. Com este estudo programado objetiva-se compreender as potencialidades das imagens artísticas, especialmente as que lidam com as dimensões do desenho e da palavra, funcionarem como intercessoras das imagens cartográficas, visando problematizar a ideia de representação como verdade territorial que é associada aos mapas, especialmente no âmbito da cultura geográfica escolar.
- Mulheres na impressão tipográfica
Pesquisa de Iniciação Científica: Isabella Brunetti de Campos. Orientadora: Aline Dias. O subprojeto consiste em uma pesquisa sobre tipografia nos meios tradicionais, a partir do trabalho de mulheres no campo da arte e das produções gráficas, trazendo reflexões e diálogos com os conceitos de publicações artísticas. A investigação sobre a história das mulheres no meio editorial tem como recorte o diálogo de Laura Riding com a poeta Gertrude Stein e de Silvia Nastari com a obra de Hilda Hilst na edição do livro Eu Sou a Monstra: Hilda Hilst para cionças pela editora Quelônio. O subprojeto também tem como objetivo realizar experimentação artística com a tipografia tradicional atrelada a meios contemporâneos através de uma publicação de artista com poesia, desenho e tipografia a ser desenvolvida pela estudante.
- O desenho da escrita e a escrita do desenho no trabalho de Ana Hatherly
Pesquisa de Iniciação Científica: Letícia Marinato da Cunha. Orientador: Diego Rayck. Esta é uma pesquisa no campo da arte contemporânea, refletindo sobre as relações entre escrita e desenho no trabalho da artista, poeta, ensaísta e pesquisadora portuguesa Ana Hatherly. Pretende-se analisar sobretudo a produção artística na qual Hatherly grafava linhas mantendo certos protocolos ou formas da escrita, mas que simultaneamente os subvertia a ponto de conduzi-los a certo aspecto de desenho quando transpunha o limite da legibilidade e, assim, os desvinculava de supostos sentidos verbais. Para analisar e desenvolver considerações a esse respeito, foram utilizados textos que tratam de linha e linguagem, especialmente na pesquisa de Tim Ingold. Para tratar de definições de desenho, foi utilizado o livro O prazer no desenho (2022) de Jean-Luc Nancy, autor que também discorre sobre escrita, corpo e gesto.
- ofício febril
relato de pesquisa no II SEPECAR, out. 2025
- como um tigre que ruminasse
Artigo de Aline Dias e Diego Rayck publicado no Anais do I Encontro Internacional da Rede Latino-americana de Cultura Gráfica e III Rastros Leitores Seminário Internacional da Edição e do Livro. Belo Horizonte: CEFET MG, 2023. p. 70-85. O texto aborda a relação entre arte e escrita a partir de três livros desenvolvidos no projeto escrita em artes na UFES. Embora cada livro mobilize estratégias editoriais específicas, as publicações têm em comum o vínculo institucional, a dimensão colaborativa da produção de estudantes e professores e a compreensão do livro como dispositivo de aprendizado e de prática artística. Além de relatar o processo e o contexto do projeto, dialogamos com as reflexões de Kate Linker e Anne Moeglin‐Delcroix acerca de publicações de artista e de Ulises Carrión sobre o livro como sequência espaço‐temporal. Compreendemos o livro como propulsor de experiências artísticas, retomando a imagem paradoxal de um tigre ruminando, como faz um boi na sua lentidão vegetariana.
- poemas com plantas, práticas metamórficas
Artigo de Aline Dias. Apresentado no 32º Encontro Nacional da ANPAP - Formas de vida, 2023, Fortaleza. Publicado no Anais do evento, Fortaleza: IFCE, 2023. O artigo aborda um conjunto de trabalhos artísticos agrupados sob o circunstancial título poemas com plantas e que assentam-se em uma série de experiências de leitura e escrita, edição e publicação formuladas a partir de encontros vegetais entre 2020-23. Além de compartilhar os trabalhos e os processos de produção destas publicações de artista, duas delas envolvendo composição com tipos móveis e impressão na oficina tipográfica papel do mato, o artigo estabelece diálogos com a produção artística, literária e teórica, referenciando autores como Isabelle Stengers e Emanuelle Coccia. A partir dos trabalhos e da reflexão que o acompanha, pretende-se assumir a produção poética e artística como práticas metamórficas.
- visitas técnicas
conhecendo ateliês coletivos e oficinas tipográficas
