Ofício Febril

Quando os tipos se movem / quando os tipos se movem

A primeira atividade do projeto ofício febril: primeiras impressões acolheu as falas de Aline Dias e Diego Rayck, logo a seguir da palestra de Ricardo Esteves, no dia 15 de agosto de 2025, no Auditório do Centro de Artes da UFES. A apresentação dos artistas Aline Dias e Diego Rayck foi intitulada quando os tipos se movem, sobre o encontro com o ofício tipográfico e os processos de impressão e construção de um ateliê de tipos móveis que eles vêm mobilizando na cidade de Vitória.

cartaz de divulgação imagem de divulgação, projeto gráfico de aline dias

Na contramão da grande narrativa evolutiva dos fazeres e técnicas humanas, que escutamos tantas vezes sem sequer perceber, Aline e Diego nos apresentaram uma história. Iniciando um processo de pesquisa e produção artística que buscou realizar oficinas e residências em ateliês de tipografia em diversas cidades, em especial a tipografia Papel do Mato em Rodeio-SC, a dupla de professores-artistas começou a constituir práticas e saberes atentos a este ofício em vias de desaparição. Desenvolveram publicações artísticas em torno de poemas, desenhos e a atenta observação do resgate ao fazer tipográfico, que apresentaram em sua fala.
Com o desejo de trazer essa prática para a cidade onde residem, começaram a buscar por tipos e equipamentos de antigas gráficas em Vitória. Junto ao professor Ricardo e diversos colaboradores, resgataram tipos e uma pequena prensa que haviam sido descartados. Começaram, então, a montar o ateliê tipográfico e formularam o projeto ofício febril. Uma das atividades que intitulam quando os tipos se movem, é a ação de levar esta pequena prensa operada manualmente, diligentemente restaurada pelo Diego, para espaços fora do ateliê, envolvendo a situação da impressão com o encontro. Uma dessas ações aconteceu na Praia de Camburi durante o evento organizado pelo projeto Conexões Costeiras Sudeste, coordenado por Cristiana Losekann, da Ufes, onde os artistas e colaboradores do ateliê levaram a prensa para a areia e imprimiram cartões postais durante o dia inteiro do evento. Outra ação ocorreu no Museu de Arte do Espírito Santo durante o lançamento do catálogo da exposição Pele Abissal de Marcos Martins, com a impressão in situ de encartes do catálogo.
Aproximando tais experiências de uma construção de saber indissociável do corpo, como Aline descreveu, as atividades que os artistas coordenadores do projeto ofício febril: primeiras impressões vêm praticando ressaltam um compromisso a contrapelo dos intentos evolutivos da narrativa das técnicas de escrita, impressão, leitura e produção de livros. Interessados no restauro, na lentidão e nas situações de encontro e colaboração, as falas de Aline e Diego aproximaram-se daquilo que Leila Danziger viria sinalizar em seguida sobre as possibilidades de se relacionar com o que é ameaçado pela obsolescência e o descarte, mas que guarda tantos nomes, palavras e sentidos em suspensão.
Relato de Yurie Yaginuma

cartaz de divulgação imagem de divulgação, projeto gráfico de aline dias