Escrevi esta frase à caneta no dia 10 de setembro de 2025, em um caderninho marrom que levei comigo em uma visita ao museu Inhotim. Fiquei um bom tempo na sala do Sonic Pavilion, do Doug Aitken, e tentava escrever e pensar sobre os sons que eu escutava, da obra e dos visitantes. Foi assim que apareceu “uma brisal abissal”, mas ainda sem o ponto de interrogação.
Duas semanas depois, a frase acompanha a vida que se transforma e é compartilhada. A frase ganhou forma em pequenos tipos de chumbo, e o peso do metal não encerra a frase de forma afirmativa, ela acaba ganhando o sinal de interrogação, algo ainda maleável.
herbert baioco, uma brisa abissal?, 2025, composição e impressão tipográfica, 14,8 x 21 cm, foto de isabella de campos
no dia 24 de setembro de 2025 a prensa tipográfica manual pérola teve sua re-estréia no século xxi. a frase composta por herbert baioco com a fonte kabel, corpo 24 pontos foi a primeira impressão depois de tantos anos parada e de um ano de restauro desenvolvido por diego rayck com apoio de guilherme schmittel.
a composição: uma brisa abissal? marcou esse movimento de retorno da prensa tipográfica manual ao seu ofício. a impressao foi feita por aline e herbert, que esteve na oficina também gravando os sons da impressão tipográfica com um microfone de contato.
a brisa que é a presença do herbert na oficina, o abissal da pele na exposição de marcos martins, marcou também o luto que compartilhamos.
