Ofício Febril

Processos artísticos / projeto cinta aqui

Como parte do projeto Ofício Febril: primeiras impressões, o projeto cinta “aqui” responde a uma provocação feita a um grupo de artistas, instigando-os à ação artística voltada para a publicação. A partir da sede do projeto – a oficina tipográfica, criada e bravamente mantida pela dupla Aline Dias e Diego Rayck, na sala 6 do Departamento de Artes Visuais da Ufes –, a proposta instiga à prática artística em proximidade com os tipos móveis.
Propomos, então, a confecção de uma cinta em tiragem suficiente para envolver diferentes livros que façam parte de bibliotecas diversas, abrigadas por instituições por onde o projeto Ofício Febril: primeiras impressões deverá circular. A cinta, em papel preto (colorplus 120g/m2), traz a impressão (tipográfica) da palavra “aqui” em dois lugares (frente e lombada) em tinta prata.

Ao ser colocada em qualquer livro que traga a palavra “arte” ou “política” em seu título, a cinta pretende convocar uma atenção específica à publicação como lugar (“aqui”) atravessado pela dimensão política da arte. Os tipos móveis utilizados em sua produção trazem a marca histórica da reprodutilibidade técnica que acompanha o desenvolvimento da noção de “público”, que, inseparável de uma perspectiva política, tensiona a arte enquanto publi-ação. A cinta produz também um efeito “tarja preta” sobre os livros, aludindo ao potencial psicotrópico de qualquer leitura, seja ela transgressora ou conservadora. Cabe também entender o projeto como uma aproximação ao trabalho Caminhando (1963) de Lygia Clark, o que permite pensar em possíveis ações sobre a cinta, caso o leitor se sinta movido a também caminhar por ela.
Gisele Ribeiro

cintas de papel com impressão tipográfica

montagem da rama

prensa

impressão Gisele Ribeiro, projeto cinta “aqui, 2025, imagens do processo de impressão tipográfica na oficina. fotografias da artista

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