Ofício Febril

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ofício febril: ações tipográficas Artigo de Aline Dias e Diego Rayck apresentado no 24º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia (24.ART) UNB e Museu Nacional da República, em setembro de 2025.

O artigo propõe uma reflexão sobre o projeto Ofício febril, ancorado em dinâmicas colaborativas de constituição de uma oficina tipográfica na UFES. Partindo da vocação experimental e democrática da publicação de artista (Kate Linker), aspectos conceituais da impressão (Georges Didi-Huberman) e agenciamentos de gestos entre mãos e máquinas de funcionamento mecânico (Vilém Flusser), o projeto envolve uma espécie de febre por esse ofício hoje obsoleto. A composição e impressão com tipos móveis atrelada a procedimentos digitais constitui um trabalho anacrônico de resgate de equipamentos, memórias de saberes em vias de extinção e experimentação artística. Na dimensão pública da universidade, o projeto valoriza as oportunidades de convívio que os ateliês coletivos ensejam, tomando partido da correspondência e da atenção (Tim Ingold). Nestas lentas horas de trabalho que as coisas feitas com as mãos mobilizam, vemos competências relacionais e exercícios de atenção sendo acionados, em estratégica contraposição à velocidade e ansiedade que caracterizam a vida digital contemporânea (Jonathan Crary). A reflexão parte das publicações produzidas e, sobretudo, a mobilidade dos tipos móveis com ações tipográficas realizadas pelo projeto em espaços públicos. O deslocamento da prensa manual para a praia integrando manifestações socioambientais (parceria com o projeto Conexões Costeiras Sudeste, do Laboratório de Política Ambiental e Justiça Ufes) procura discutir os modos de produção e circulação de imagens. Rompendo com a lógica do descarte, interessa-nos pensar o endereçamento e a exposição do próprio mecanismo de produção da imagem.