remoção de revestimento externo da pintura da prensa pérola revelando a camada original e também áreas de ferrugem
Nossa prensa foi adquirida de um lote de equipamentos comercializado entre duas gráficas em São Paulo e viajou desmontada 1000 Km até o laboratório. A responsável pelo espólio do antigo proprietário, sua filha, afirmou que esta prensa foi a primeira da gráfica de seu pai, mas como na época ainda era criança, não soube confirmar a data. Seria nos anos 50, 60? O segundo proprietário não utilizou o equipamento e logo anunciou a prensa para venda como item de exibição, tendo pintado a mesma com cores espalhafatosas e tinta inadequada. Ela estava sem rolos e o berço tinha marcas de lâmina de picote, sendo provavelmente destinada a corte e dobra em seus últimos momentos de operação.
A prensa chegou desmontada em 3 fardos. Na medida em que os pacotes foram abertos, continuamos a desmontagem visando a remoção da tinta. Neste processo descobrimos que a cor anterior era verde (que no meio gráfico chamam de verde inglês) e estava descascada em vários pontos de manuseio. Abaixo desta camada encontramos, também desgastada, a cor original: esmalte preto com detalhes dourados pintados à mão.
Removemos as duas camadas exteriores por meios químicos e mecânicos com o empenho de prejudicar minimamente a pintura original e encontrando neste caminho depósitos de poeira, óleo ressecado, barro e tinta de impressão em partes diferentes do equipamento. Ao invés de repintar, optamos por proteger a superfície com óleo, o que, até o momento, tem afastado a oxidação.
A etapa seguinte foi a remontagem das partes que tomou como base relatos, fotografias e desenhos industriais encontrados em fóruns de discussão na internet sobre as prensas Golding. Na montagem descobrimos que o pé dianteiro esquerdo foi emendado com chapa parafusada e que a prensa possui 6 pontos de solda do mesmo lado, indicando provavelmente uma queda resultante da quebra deste pé. Simultaneamente à remontagem, produzimos novos rolos sob medida e um acionador das pinças, peças fundamentais que faltavam.
Em comparação com imagens de catálogos antigos é possível constatar que o modelo de tinteiro é bem distinto do original Golding: fixado por dois suportes acoplados logo atrás do eixo do braço dos rolos, é muito maior, mais robusto e fica centralizado sobre o disco de entintagem, configuração semelhante à utilizada nas prensas Nugard ou Cropperette, réplicas da Pearl feitas por Cropper & Co de Nottingham.
Com base em ilustrações de catálogos de venda e fotografias de exemplares originais bem conservados, também será possível refazer os itens em madeira: suportes de papel dianteiro, duas gavetas alojadas na base e uma bandeja metálica lateral destacável, originalmente destinada a ser suporte de tinta e rolo auxiliar. Mas mesmo sem estes elementos, depois de um ano de trabalho, fizemos os primeiros testes de impressão, colocando a prensa em plena capacidade de operação.
texto de Diego Rayck
