Prensa tipográfica
Marca: desconhecida, formato 7 x 8 pol
prensa pérola após restauro, pronta para imprimir em maio de 2025
Prensa autoportante em ferro fundido, movida a pedal, com volante, entintagem por dois rolos, sem salva-prova e com tinteiro instalado. Essa máquina é uma cópia da Pearl Nº 3 em sua versão de 1890, desenvolvida e produzida por Golding & Co, Chicago. Ou uma réplica de réplicas realizadas por outros fabricantes como Globe Manufacturing Co e Empress Machine Works nos EUA ou Cropper & Co na Inglaterra de acordo com pesquisa do especialista Bill Elligett.
Com exceção de pequenas adaptações, o desenho de toda a máquina é muito similar à Pearl Nº 3, inclusive o emblemático pedal com formato de coração arrematado por um anel que foi suprimido nas réplicas de alguns fabricantes. Nosso exemplar foi comprado com uma placa falsa recém fixada na base, logo abaixo do volante, onde se lê F. “Street & Company Lda Engenheiros” e a proveniência Lisboeta. Mas não há qualquer indício consistente que ligue a máquina a este fabricante.
Nos modelos Golding a partir de 1890, bem como em suas réplicas comerciais, o nome do fabricante era fundido em alto relevo direto no corpo da peça, substituindo a fixação de uma pequena placa lateral. Além disso, na Golding havia uma placa frontal de latão, sobre a platina de impressão, onde se lia gravado o nome do modelo e o número da patente industrial. Próximo a ela, no berço, logo abaixo do disco de entintagem, Golding cunhava o número de série, pelo qual é possível consultar no livro da fábrica o mês e ano de produção de cada máquina. No nosso exemplar, além da inexistência do designativo em relevo do fabricante original, não há qualquer registro de número de série nem placa vinculada à sua procedência.
Isso praticamente inviabiliza precisar a origem e data de produção de nossa prensa e reconstituir seu histórico. Ainda assim é possível deduzir que a modernização da Golding Pearl Nº3 e suas sucessoras envolveu a implementação progressiva de recursos como o salva-prova, rolagem tripla, aumento do formato de impressão e emprego de força motorizada na passagem do século XIX para o XX. Com essas mudanças estabelecidas e adotadas igualmente por outros fabricantes logo após o vencimento das patentes, os recursos iniciais de uma prensa Pearl Nº3 a tornariam um modelo menos atraente para ser reproduzida. Nesse cenário seria mais proveitoso para fabricantes deslocar o empenho de produção (e replicação) para modelos com recursos atualizados. Isto nos leva a supor que nosso exemplar dificilmente seria fabricado muito tempo após ao lançamento das variações incrementadas na Pearl a partir de meados de 1890, o que poderia representar uma estimativa de fabricação entre a década de 20 e 40 do séc. XX.
texto de Diego Rayck
